Compartilhe no Facebook

2005 – MASP – Cerâmica e Porcelana do Japão: A Geração Emergente

Voltar>>



 

No início do século 20, o ceramista inglês Bernard Leach trouxe para Londres a experiência que tinha vivenciado com o japonês Shoji Hamada, instaurando a “cerâmica de ateliê”, que rapidamente se difundiu pela Europa e Américas. Era uma resposta à cerâmica industrial, que, a exemplo daquela da Alemanha e da França, que investiram para alcançar o desenvolvimento técnico da porcelana oriental, trazia muitas divisas para o país. Criava-se uma ponte, de argila, entre Oriente e Ocidente. A Potter´s Book, livro mais conhecido de Leach, ao mesmo tempo em que ignorava certas tradições européias, incluía tipos específicos de cerâmica japonesa, como a praticada por Hamada, cuja atividade foi reconhecida internacionalmente, e outros artistas da região de Mashiko, um centro produtor de cerâmica popular, referendando sua importância.

Entre outros fatores, mostrava-se que, no Oriente, ao contrário da compartimentação do trabalho das oficinas ocidentais, a atividade da cerâmica era centrada no ceramista. Havia um envolvimento quase sinestésico no processo de confecção de uma peça, valorizando-se a arte do torneamento. Ao mesmo tempo em que estabeleciam vínculos entre as filosofias oriental e ocidental, proclamava-se um modo de vida no qual a razão e a emoção, mediadas pelas mãos, coexistiam em equilíbrio e harmonia. Enquanto Leach demonstrava as virtudes da cerâmica artesanal, vivendo num ambiente rural, a indústria buscava formas de fabricar peças industriais de bom design.

Leach, presença marcante por mais de 60 anos, é considerado o pai da cerâmica artesanal britânica. Seu colega, o professor William Staite-Murray, desenvolvia a atividade numa escola de arte, o Royal College of Art. Ele acreditava que a cerâmica, ao conciliar a arte e o artesanato, alcançava o status de arte, pura e simples. Na Europa, a influência da cerâmica japonesa é evidente, a ponto de termos que designam técnicas de esmaltação tradicionais japonesas serem conhecidos popularmente. Por exemplo, timoku, esmalte com grande concentração de ferro; raku, processo de queima que permite a obtenção de um efeito de craquelê…

De maneira difusa, por meio dos ceramistas que tiveram formação européia, a influência oriental chegou ao Brasil. Mas, país de forte presença japonesa, essa forma de produzir cerâmica também chegou por via direta, com os imigrantes. Eles trouxeram a tradição da cerâmica japonesa (Shoko Suzuki, Akinori Nakatani) ou, formando-se no Brasil, também se valeram das raízes japonesas (Kimi Nii, Megumi Yuasa). Ceramistas, críticos, curadores, professores influenciaram decisivamente a produção da cerâmica artística no Brasil (xxx Nakato).

A cerâmica de origem portuguesa teve a primeira manufatura em Vila Rica, com a chegada da família real, no século 19. Era a cerâmica saramenha, feita na chácara Saramenha, que produzia potes para uso cotidiano de belas formas, revestidos por uma espessa camada de verniz, hoje encontrada em antiquários e colecionadores.

Rua Fidalga, 960, Vila Madalena - São Paulo, SP, Brasil · (11) 3816 7447